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O Japão que floresceu na Serra

Como a imigração japonesa ajudou a transformar Atibaia em terra das flores.

A paisagem florida de Atibaia, hoje associada à identidade e ao turismo da cidade, guarda uma história de imigração, trabalho e transformação econômica. A partir da década de 1930, famílias japonesas chegaram à região trazendo conhecimentos agrícolas e disposição para cultivar uma nova vida em terras que ainda não revelavam todo o seu potencial.

Com técnicas de cultivo diferentes das praticadas localmente, esses imigrantes investiram na produção de flores como crisântemos, gérberas e rosas. O que começou como uma aposta se transformou em atividade econômica relevante, ajudando a consolidar Atibaia como referência paulista na floricultura. Mais do que introduzir novas técnicas, essas famílias contribuíram para construir uma vocação que atravessaria gerações e passaria a fazer parte da identidade do município.

Essa trajetória ganhou um marco em 1968, quando Toraki Yano organizou a primeira Feira Agrícola, nas proximidades do trevo da Rodovia Fernão Dias. A iniciativa abriu caminho para a Festa das Flores, evento que cresceu ao longo das décadas e passou a integrar o calendário turístico regional. Em sua 44ª edição, a celebração reunia centenas de produtores e ampliava a visibilidade de uma atividade que conecta agricultura, cultura e geração de renda.

O legado japonês, porém, vai além das estufas e dos jardins. Está presente nas famílias que mantêm a produção, nos negócios que surgiram em torno dela e na maneira como a cidade construiu parte de sua imagem. Entre tradições preservadas e novas formas de empreender, descendentes dos pioneiros continuam cultivando flores e renovando esse patrimônio.

A história mostra que a identidade de Atibaia também foi construída por quem veio de longe. Ao criar raízes, essas famílias ajudaram a transformar flores em símbolo de pertencimento, oportunidade econômica e memória coletiva.

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