A Cultura que se faz tocando
Nascido de um desejo de trazer a brincadeira de carnaval de rua, então, pensado no protagonismo de crianças e famílias, o Boi Fulô mostra com seu repertório e animação que suas raízes vêm de longe no espaço e na história. Criado no seio do Grupo Curiá, em Atibaia/SP, surge como continuidade natural que atravessa o Bumba Meu Boi, o Coco, as Congadas entre outras manifestações populares. Não como réplica, mas como uma transformação que dialoga com a tradição e encontra seu próprio passo, compasso e público.
A ideia partiu de artistas que fizeram da cultura popular um caminho de estudo e prática. Ao longo de anos e experiências com mestras e mestres, rodas de canto e teatro de bonecos, o Fulô foi surgindo. Assim, nascia o bloco que devolveria às ruas o espaço do brincar coletivo, trazendo uma nova-velha oportunidade para as crianças e muitas famílias.
Inspirado na ancestralidade que une o Brasil de Norte a Sul, o Boi Fulô carrega toadas autorais com canto, percussão e movimento. Seu nome sugere alegria, um broto tal como uma criança que é o foco desse grupo. Floresce, assim, de forma existencial um Boi que nasce e renasce a cada encontro, em cada praça em que se apresenta, por todas as pessoas que se reúnem, e todas as vezes que o tambor, palmas e vozes se encontram e encantam.
Neste sábado, 21, o Boi Fulô fará sua apresentação na Praça do Migrante Nordestino às 15h. Mais que um espetáculo, uma oportunidade de se observar a memória cultural do Brasil em movimento. Um convite para que a cidade se reconheça no compasso das canções.
Bruno Velasco
Jornalista, pesquisador e documentarista para o Atibaia em Revista
